sábado, 8 de agosto de 2009

Rosa de Nagasaki

Esses dias faz 64 anos que uma bomba atômica foi covardemente lançada sobre Nagasaki, no Japão. Todos falam de Hiroshima, mas raramente se fala de Nagasaki. Gente, foram DUAS bombas. Questiona-se até mesmo a necessidade de se ter empregado uma, imagina duas? Muitas pessoas também morreram em Nagasaki, mas como a primeira bomba caiu em Hiroshima, deve ter gente que nem sabe que houve outra.

O erro de Nagasaki foi ter sido a segunda escolhida. Ganhou com isso uma eternidade no segundo plano. Assim como os coitados que fazem aniversário dia 25 de dezembro. Quem vai se lembrar direito de alguém que faz aniversário junto com JC? Vai ser sempre assim "ih, é, hoje também é aniversário do Cláudio". Ou então 1º de janeiro. Naquela sequela toda, ninguém quer ouvir mais falar de festa, o cara manda "pô, ninguém me deu parabéns". E isto para o resto da vida!

Este post é para mostrar minha solidariedade às vítimas de Nagasaki diretas e indiretas, pois sabemos que os efeitos avançam gerações. E também prestar homenagem aos que têm síndrome de Nagasaki, os que, por um motivo qualquer alheio à propria vontade, estão fadados ao segundo plano por toda uma existência.

domingo, 19 de julho de 2009

Paranoia Também É Doença

Pandemia de quê?

Fala sério, estamos vivendo uma pandemia de paranoia. (Sou do tempo da paranóia com acento agudo mas ainda tenho alguma adaptabilidade). Essa gripe suína, ou gripe porcina, gripe da viúva porcina, não tem nada de mais. É uma gripe, gente, gripe. É, gripe. Criou-se toda essa comoção mundial acerca da gripe ABDCEFGH1N1, mas na verdade ela é uma infecção por infuenza, o vírus, que sempre foi grave, mas não está mostrando uma letalidade maior que as outras, de 0,4%.

Isso justifica que 100% use máscara? Justifica que todas as pessoas com nariz escorrendo façam o teste para gripe roque santeiro? Não! Não mesmo! Até porque, nada de diferente vai poder ser feito. O tal "remédio" para gripe suína é um remédio que serve para qualquer gripe, e só funciona se for tomado no início do quadro, ou seja, antes que se saiba se é gripe ou não, ou se é suína ou bovina, ou aviária, ou vegetal ou mineral.

Contudo, os ansiosos de plantão ficam de orelha em pé. Os hipocondríacos arranjaram uma razão de existir. Os neuróticos conseguiram seu bode na sala para se preocuparem enquanto os outros problemas do dia-adia são ignorados ou adiados.

E os propensos à paranoia... Ah, esses conseguiram um objetivo de vida. Finalmente um evento real para provar que no fim de tudo estavam certos! Não adianta o ministro ser assertivo e objetivo, está semeado o pânico.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Um Leão por Ano

Não, não é uma referência ao livro da Vera Fisher, apesar de esta expressão por si só já ser uma boa piada. Também não falo de um controle populacional em um parque do Quênia - esses leões não me põem medo. Falo do imposto de renda. POOOTA QUE PARIIIIIU!

Uma vez uma professora - excelente, por sinal - disse que nunca deveríamos reclamar de pagar esse imposto, porque significa que temos renda. Jamais consegui seguir esta recomendação. Sempre fico puto. Trabalho o ano todo feito um condenado - condenado livre, porque preso não trabalha. Sofre, mas não trabalha - e ainda tenho de pagar uma baba depois?! É um absurdo!

Claro que sei que a minha renda me permite ter internet, escrever num blog com razoável respeito à língua portuguesa, transitar entre as classes C+ e B- -, mas porra! Tenho certeza que neguinho rico de verdade não paga, mesmo que proporcionalmente, tanto imposto quanto eu. Eu que não posso fazer falcatruas, eu que não sou parente-de-fulano, eu que não tenho empreiteira, eu que não entendo nada de triângulos-retângulos, entro na massa da classe média que enche as burras e os cofres vorazes da União!

O Molusco, e olha que em linhas gerais eu simpatizo com ele, é muito ganancioso para sustentar essa gastança sem fim, tão transparente quanto o mar derramado de tinta de polvo! É uma lula gigante digna desses filmes de terror-criatura-dos-mares.

Devia ter mudado o título do texto para "Um Molusco por Ano", mas aí ia perder a piada da Vera. Gente, o que me resta é a piada. Ao menos isso o Molusco ainda não me levou.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sou Mais o Fidel

Vi o filme Che. Vale totalmente a pena. Acho que é um desses filmes que têm de ser vistos de qualquer maneira. Trata, esta primeira parte - o filme tem uma segunda ainda sem previsão de lançamento no Brasil - , da luta da guerrilha que fez a revolução cubana. É muito bem feito, bem realista. (OK, não sou profundo conhecedor dos eventos relatados, mas ao menos pareceu realista). Romantizado, mas realista.

Mas tem de ser romantizado mesmo. Saí da sala com uma angústia. A angústia de não ter condições de acreditar. Acreditar em itálico quer dizer ter fé, ter uma crença profunda. Aquelas pessoas estavam dispostas a dar a própria vida por algo que ia melhorar o país e as vidas dos cubanos. Hoje em dia não se tem isso. Bom, eu não tenho. Vejo que as verdadeiras mudanças não ocorrem por meio de revoluções lideradas por idealistas, mas levam gerações, e a humanidade, via de regra, não tem condições de lidar com mudanças de verdade. A princípio, não trabalho com a possibilidade de intervenção de qualquer messias, seja ele JC, Obama ou Chuck Norris. Ninguém vai aparecer para "libertar" ninguém.

Por isso admiro muito os idealistas como os retratados no filme. Admiro e fico angustiado de não compartilhar desse idealismo. O Che está ótimo, mas o Fidel está simplesmente perfeito. O ator dá até aquela balançadinha de corpo que o Fidel dá quando fala. Esta semana li também uma notícia de alguns deputados americanos que visitaram a ilha e estiveram com Fidel. Como todo mundo que encontra aquela lenda viva, saíram encantados com ele. É impressionante o carisma que ele tem, com quase 90 anos. Acho que nenhum político vivo tem esse mesmo carisma no mundo de hoje. Nem nosso presidente-molusco, "o cara". Vamos combinar que, em termos de carisma, não estamos bem servidos, a julgar pelos presidenciáveis que se anunciam...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Idade da Pedra

Nossa gente está ainda muito atrasada. Às vezes me pego pensando em preocupação ambiental, separar lixo e essas coisas. Então fico puto com neguinho que não se preocupa com isso, não entende a sua participação no todo, sua responsabilidade. Soube que o pessoal do Radiohead - que esteve recentemente no Brasil - fez questão de que até os restos de comida tivessem destino ambientalmente correto; ia ser processado pra virar adubo (ok, de certa maneira o alimento que não jogamos fora também acaba virando "adubo"). Achei bem interessante essa iniciativa.

E a negozinho que diz "porra, do que vai adiantar você fazer isso tudo se seu vizinho não faz", eu respondo, foda-se! O objetivo principal não é reciclar o sei-lá-quanto-de-lixo que eu produzo, e diminuir essa quantidade das toneladas que aportam em Gramacho várias vezes por dia. A ideia - sem acento- é criar uma cabeça pensando nisso, e depois várias cabeças, e assim sucessivamente, até que quase todo mundo tenha essa preocupação como algo natural, sem essa porra de eco-chato. Chato é chato. Ser eco não quer dizer ser chato.

O argumento que eu acho de fato procedente é o pior de todos: "cara, num lugar onde as pessoas são analfabetas, mal têm o que comer, você vem me falar de separar o lixo? Fala sério!". Falo sério sim. Se o Brasil tem 30 ou 40 milhões de esfomeados, 120 milhões de pobres, tem um resto de alguns milhões de mais ou menos que podem sim prestar atenção nessas coisas, porque isso significa se envolver com o entorno, com o que está acontecendo à sua volta. Todo mundo sabe que o retromencionado aterro de Gramacho já deu o que tinha de dar, e esse mesmo "todo mundo" permanece nem aí para essa história.

Enfim, tratem bem os eco-chatos, porque em pouco tempo eles se tornarão os eco-insuportáveis, pois, além das habituais preocupações, vão dizer "eu bem que avisei". E isso sim é chato.

Morar sozinho é...

Dar uma "arrumadinha" na casa antes de a empregada chegar. Afinal, ela não é obrigada a arrumar TODA a bagunça.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Boas Entradas e a Felicidade Genuína

Adoro ano novo. Acho espetacular o jeito que as pessoas têm de pôr numa simples mudança de data toda uma esperança de que o mundo vai mudar. Não entro em nenhuma superstição em particular, mas compartilho dessa felicidade genuína, neguinho anda pela rua com uma alegria, um sorriso, desejando de fato um feliz ano novo para cada um que passa. Fica uma atmosfera de ... bom, por mais que me doa usar esta expressão: de puro alto astral.

Abre parêntese.Uma vez trabalhei na noite de 31. NUNCA MAIS!! Trabalhar na noite de natal ainda rola, porque se você encontra a família no dia 25, beleza, ainda tem o pessoal reunido, rabanada, panetone, e, por que não, bacalhau requentado no microondas e presentes na árvore. Agora, no réveillon, nem pensar! Se você não estiver bebendo e se divertindo com pessoas queridas naquele exato segundo, ba-bau, só no ano seguinte. Fecha parêntese.

Felicidade genuína comparável à do ano novo, acho que, talvez, só no carnaval, mas não é a mesma coisa, porque são vários dias, e a felicidade genuína pode não ser tão genuína assim, pode simplesmente significar alguém querendo comer alguém. Não que isso não ocorra no ano novo, mas é que vagabundo não sai por aí desejando "feliz carnaval" a caixa de supermercado e manobrista de restaurante. Quando a gente ouve "feliz ano novo", mesmo que seja de um desconhecido, é provável que a pessoa esteja de fato desejando felicidade no ano seguinte. Um feliz ano novo genuíno a todos.