Nossa gente está ainda muito atrasada. Às vezes me pego pensando em preocupação ambiental, separar lixo e essas coisas. Então fico puto com neguinho que não se preocupa com isso, não entende a sua participação no todo, sua responsabilidade. Soube que o pessoal do Radiohead - que esteve recentemente no Brasil - fez questão de que até os restos de comida tivessem destino ambientalmente correto; ia ser processado pra virar adubo (ok, de certa maneira o alimento que não jogamos fora também acaba virando "adubo"). Achei bem interessante essa iniciativa.
E a negozinho que diz "porra, do que vai adiantar você fazer isso tudo se seu vizinho não faz", eu respondo, foda-se! O objetivo principal não é reciclar o sei-lá-quanto-de-lixo que eu produzo, e diminuir essa quantidade das toneladas que aportam em Gramacho várias vezes por dia. A ideia - sem acento- é criar uma cabeça pensando nisso, e depois várias cabeças, e assim sucessivamente, até que quase todo mundo tenha essa preocupação como algo natural, sem essa porra de eco-chato. Chato é chato. Ser eco não quer dizer ser chato.
O argumento que eu acho de fato procedente é o pior de todos: "cara, num lugar onde as pessoas são analfabetas, mal têm o que comer, você vem me falar de separar o lixo? Fala sério!". Falo sério sim. Se o Brasil tem 30 ou 40 milhões de esfomeados, 120 milhões de pobres, tem um resto de alguns milhões de mais ou menos que podem sim prestar atenção nessas coisas, porque isso significa se envolver com o entorno, com o que está acontecendo à sua volta. Todo mundo sabe que o retromencionado aterro de Gramacho já deu o que tinha de dar, e esse mesmo "todo mundo" permanece nem aí para essa história.
Enfim, tratem bem os eco-chatos, porque em pouco tempo eles se tornarão os eco-insuportáveis, pois, além das habituais preocupações, vão dizer "eu bem que avisei". E isso sim é chato.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Morar sozinho é...
Dar uma "arrumadinha" na casa antes de a empregada chegar. Afinal, ela não é obrigada a arrumar TODA a bagunça.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Boas Entradas e a Felicidade Genuína
Adoro ano novo. Acho espetacular o jeito que as pessoas têm de pôr numa simples mudança de data toda uma esperança de que o mundo vai mudar. Não entro em nenhuma superstição em particular, mas compartilho dessa felicidade genuína, neguinho anda pela rua com uma alegria, um sorriso, desejando de fato um feliz ano novo para cada um que passa. Fica uma atmosfera de ... bom, por mais que me doa usar esta expressão: de puro alto astral.
Abre parêntese.Uma vez trabalhei na noite de 31. NUNCA MAIS!! Trabalhar na noite de natal ainda rola, porque se você encontra a família no dia 25, beleza, ainda tem o pessoal reunido, rabanada, panetone, e, por que não, bacalhau requentado no microondas e presentes na árvore. Agora, no réveillon, nem pensar! Se você não estiver bebendo e se divertindo com pessoas queridas naquele exato segundo, ba-bau, só no ano seguinte. Fecha parêntese.
Felicidade genuína comparável à do ano novo, acho que, talvez, só no carnaval, mas não é a mesma coisa, porque são vários dias, e a felicidade genuína pode não ser tão genuína assim, pode simplesmente significar alguém querendo comer alguém. Não que isso não ocorra no ano novo, mas é que vagabundo não sai por aí desejando "feliz carnaval" a caixa de supermercado e manobrista de restaurante. Quando a gente ouve "feliz ano novo", mesmo que seja de um desconhecido, é provável que a pessoa esteja de fato desejando felicidade no ano seguinte. Um feliz ano novo genuíno a todos.
Abre parêntese.Uma vez trabalhei na noite de 31. NUNCA MAIS!! Trabalhar na noite de natal ainda rola, porque se você encontra a família no dia 25, beleza, ainda tem o pessoal reunido, rabanada, panetone, e, por que não, bacalhau requentado no microondas e presentes na árvore. Agora, no réveillon, nem pensar! Se você não estiver bebendo e se divertindo com pessoas queridas naquele exato segundo, ba-bau, só no ano seguinte. Fecha parêntese.
Felicidade genuína comparável à do ano novo, acho que, talvez, só no carnaval, mas não é a mesma coisa, porque são vários dias, e a felicidade genuína pode não ser tão genuína assim, pode simplesmente significar alguém querendo comer alguém. Não que isso não ocorra no ano novo, mas é que vagabundo não sai por aí desejando "feliz carnaval" a caixa de supermercado e manobrista de restaurante. Quando a gente ouve "feliz ano novo", mesmo que seja de um desconhecido, é provável que a pessoa esteja de fato desejando felicidade no ano seguinte. Um feliz ano novo genuíno a todos.
sábado, 1 de novembro de 2008
Por uma batata frita mais humana
Um dos maiores clássicos de botecos, restaurantes e etc - a batata frita - , tem sofrido um golpe sorrateiro em sua forma tradicional. Hoje em dia está cada vez mais difícil encontrar batata frita de verdade por aí. A maior parte dos lugares não quer se dar ao trabalho de comprar uma batata, descascar, cortar e fritar. Simplesmente compram aquele raio daquele pacotinho de batata pré-cortada, pré-descascada, pré-cozida, pré-fabricada, pré-datada, congelada e fritam antes de servir. UM ABSURDO!
Uso este espaço para denunciar o golpe que a instituição boteco tradicional vem sofrendo. É uma conspiração, lenta, ardilosa, sub-reptícia (adoro sub-reptícia), que está sendo aplicada. Acompanhem: já sumiu a coca-cola de garrafa 290mL, que só se encontra muito raramente por aí. Também está sumindo a cerveja de garrafa, que vem sendo substituída pelo chopp ("só tem chopp"), ou então está disponível apenas em pés-sujos ou como artigo de luxo - só Antarctica Original, Bohemia Weiss, etc. Isto agora está chegando também à batata frita! A busca incessante do lucro a qualquer preço vem minando os baluartes da boemia tradicional. Ainda permanecem como pièces de résistance os pés-sujos, mas com aquele barulho de caça-níquel ou tv ligada na globo ou record eu não consigo beber. Silvio Santos ainda vai, mas o Faustão...
Uso este espaço para denunciar o golpe que a instituição boteco tradicional vem sofrendo. É uma conspiração, lenta, ardilosa, sub-reptícia (adoro sub-reptícia), que está sendo aplicada. Acompanhem: já sumiu a coca-cola de garrafa 290mL, que só se encontra muito raramente por aí. Também está sumindo a cerveja de garrafa, que vem sendo substituída pelo chopp ("só tem chopp"), ou então está disponível apenas em pés-sujos ou como artigo de luxo - só Antarctica Original, Bohemia Weiss, etc. Isto agora está chegando também à batata frita! A busca incessante do lucro a qualquer preço vem minando os baluartes da boemia tradicional. Ainda permanecem como pièces de résistance os pés-sujos, mas com aquele barulho de caça-níquel ou tv ligada na globo ou record eu não consigo beber. Silvio Santos ainda vai, mas o Faustão...
domingo, 28 de setembro de 2008
Eleições 2008 II
Para vereador em uma cidade da Baixada Fluminense concorre Marcelo Two-Two. Esta é a grafia. De início pensei que era Marcelo Chuchu, mas a preocupação com a grafia correta me fez constatar o pior. É mesmo Marcelo Dois-Dois, ou Marcelo 22. Vi a cara do sujeito, acho que no SBT, no horário político. Deve ter quase 40 anos, cabelo oxigenado tipo surfista e metade dos músculos da face paralisados, não sei o motivo. Creio que o 22 é uma referência ao artigo 22 do código penal antigo, que tratava da imputabilidade dos alienados mentais e loucos de toda espécie, se não me engano. A julgar pela pinta do cidadão, a seqüência de fatos poderia ter sido assim: um camarada da comunidade, de comportamento excêntrico, conversava com todos, e era conhecido como "Marcelo Maluco". Um dia Marcelo ficou sabendo de seu apelido, e expressou seu descontentamento aos companheiros que, como sempre acontece nesses casos, apenas intensificaram o escárnio acrescentando a referência jurídica, embora talvez sem o conhecimento específico: "Marcelo Dois-Dois", que progrediu com facilidade para "Marcelo Two-Two", que conta com os votos de seus amigos para entrar na Câmara de Vereadores! Infelizmente, não encontrei foto do Marcelo na internet para anexar. A história pode estar totalmente errada, mas que é divertida, é.
Eleições 2008
Após longa ausência, a vida, essa que não pára de nos surpreender, me convocou a falar aqui sobre a criatividade humana em sua expressão das mais cruas, a campanha para vereadores. Os slogans são maravilhosos. O de uma candidata diz assim, uma citação bíblica, cuja referência não me lembro: "Até aqui, nos ajudou o Senhor". Imediatamente isso me fez pensar; bem, se até aqui nos ajudou o Senhor, como ficamos daqui pra frente; quem irá nos ajudar? O Chapolin Colorado? O próprio Capeta, aquele-que-nunca-se-ri? Ou, mais provavelmente, ninguém, estaremos lançados cada um à própria sorte, a julgar pelo zelo dos últimos vereadores com nossa cidade.
Assinar:
Comentários (Atom)


