A buzina, aliás, tem um papel curioso no trânsito. Geralmente acontece assim: um evento simples qualquer paralisa temporariamente o trânsito, algo como um caminhão de lixo parado, uma carreta manobrando, ou uma dessas retenções sem causa aparente. Os carros vão então se enfileirando, um atrás do outro. Isso aviva, nas profundezas da mente complexa de um determinado ser humano, uma crença de que sua buzina tem poderes extraordinários; se ele buzinar por tempo suficiente e bem forte, os carros da frente, repentinamente despertados do transe da ignorância, vão se movimentar, tocados pelo som poderoso da buzina mágica. Estavam todos parados apenas aguardando que algum iluminado assumisse a liderança de seus espíritos simplórios, e lhes indicasse o caminho da verdade, que é andar para a frente numa via pública da América do Sul, por exemplo, em direção à Barra da Tijuca.
O único resultado prático disso é tornar ainda mais insuportável uma situação já estressante por si mesma, majorando o papel da poluição sonora no vaso de tensão que já transborda. É o elemento humano cumprindo seu papel de infernizar os outros.
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quinta-feira, 22 de maio de 2008
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