O Brasil é o país da burocracia. Você acha que isso vai melhorar? Nem eu. Recentemente uma instituição pública de saúde recebeu um prêmio de desburocratização. Nesta mesma instituição, para dar alta a certos pacientes internados, é necessário recolher cerca de 6 assinaturas. É "Além da Imaginação"!!! Digno de "1984", de George Orwell.
A idéia de que o computador veio para simplificar esses trâmites é balela. O computador, e seu derivado, o "sistema", serve de culpado para toda e qualquer demora, incompetência, extravios etc. Aliás, por favor, vamos abrir um parêntese para essa entidade "sistema". Sistema é igual a "mercado". É algo etéreo, indefinido, todo mundo dá pitaco, ninguém sabe onde fica de fato, vive caindo, subindo, entrando ou saindo e ninguém sabe direito por quê. Fecha parêntese. A conclusão é a seguinte: se interessa, nego anda com a documentação, se não, tudo vira desculpa para adiar, não trabalhar, empurrar com a barriga. Não é preciso fazer esforço algum para encontrar a incompetência; a gente esbarra nela todos os dias.
Uma amiga buscou informações na internet sobre como fazer para renovar o passaporte e descobriu que era mais fácil passar na porra do concurso da polícia federal e virar superintendente de fronteira e alfândega do que conseguir o raio do documento. Ou apenas uma informação correta.
Outra amiga foi validar no Brasil uma carteira de motorista estrangeira e descobriu o cúmulo da burocracia. Para adiantar, ela já tinha levado todos os documentos. "Você pega esses documentos aqui, põe aqui nesse envelope de sedex, atravessa a rua e posta numa agência do correio que tem logo ali do outro lado." "Ah, sim, obrigada, mas para onde envio o sedex?" "Para cá." Então ela olhou pro lado e percebeu que havia uma pilha imensa de envelopes de sedex fechados ao lado da prestativa funcionária. E então? Você acha que vai melhorar?
domingo, 27 de janeiro de 2008
domingo, 9 de dezembro de 2007
A era das fusões
Após longo período de ausência, não poderia deixar de comentar um fato que me causou grande desconcerto há alguns dias.
No trabalho, me permiti alguns minutos para um pequeno lanche na cantina. "Um pão de queijo e um toddynho, por favor." Estava só e nada tinha para ler à mão, então passei a me interessar pelos valores nutricionais do toddynho, data de validade/fabricação, nome da empresa que manufaturou o referido produto.
Eis, nobres senhores, o momento em que me sobreveio o choque desconcertante. O toddynho é fabricado pela Pepsico. Vi com estes olhos que a terra há de comer. A mesma dona da elma chips e da pepsi. É possível que isto já seja assim há algum tempo, mas somente agora me dei conta. Reparei que não tinha mais a carinha daquele velhinho sorridente de bochechas rosadas e joviais, com aquele chapéu de imigrante-inglês-puritano-nos-EUA-do-século-XVII, um quaker.
Senhores, estamos na era das concentrações. As empresas todas vão se unindo e fundindo cada vez mais, não importa se concorrentes ou não. Dentro em pouco, é provável que a coca-cola venha a se fundir com os refrigerantes Dolly, que a vale do rio doce compre a intelig, que o banco santander compre o banco central. Em breve só haverá uma grande cadeia de supermercados, o resultado da fusão de todas elas, acabando com os pequenos armazéns e armarinhos (o que diabos é exatamente um armarinho??) - a rede Oi de supermercados.
Nesta era não há espaço para o velhinho da Quaker. Ele provavelmente foi demitido porque não se adequava aos padrões de produtividade da empresa, não era passível de identificação pelo público alvo, hoje em dia ninguém acredita em puritanos mesmo, nem o próprio velhinho, que para rir daquele jeito o tempo todo deveria estar sempre bêbado, o que também explica as bochechas sempre rosadas. Eu que engula meu susto, que me torne subitamente consciente de minha idade, que não pára de avançar, que aceite que, apesar das mais tradicionais posições em contrário, a avéia Quaker não é mais a avó do toddynho.
No trabalho, me permiti alguns minutos para um pequeno lanche na cantina. "Um pão de queijo e um toddynho, por favor." Estava só e nada tinha para ler à mão, então passei a me interessar pelos valores nutricionais do toddynho, data de validade/fabricação, nome da empresa que manufaturou o referido produto.
Eis, nobres senhores, o momento em que me sobreveio o choque desconcertante. O toddynho é fabricado pela Pepsico. Vi com estes olhos que a terra há de comer. A mesma dona da elma chips e da pepsi. É possível que isto já seja assim há algum tempo, mas somente agora me dei conta. Reparei que não tinha mais a carinha daquele velhinho sorridente de bochechas rosadas e joviais, com aquele chapéu de imigrante-inglês-puritano-nos-EUA-do-século-XVII, um quaker.
Senhores, estamos na era das concentrações. As empresas todas vão se unindo e fundindo cada vez mais, não importa se concorrentes ou não. Dentro em pouco, é provável que a coca-cola venha a se fundir com os refrigerantes Dolly, que a vale do rio doce compre a intelig, que o banco santander compre o banco central. Em breve só haverá uma grande cadeia de supermercados, o resultado da fusão de todas elas, acabando com os pequenos armazéns e armarinhos (o que diabos é exatamente um armarinho??) - a rede Oi de supermercados.
Nesta era não há espaço para o velhinho da Quaker. Ele provavelmente foi demitido porque não se adequava aos padrões de produtividade da empresa, não era passível de identificação pelo público alvo, hoje em dia ninguém acredita em puritanos mesmo, nem o próprio velhinho, que para rir daquele jeito o tempo todo deveria estar sempre bêbado, o que também explica as bochechas sempre rosadas. Eu que engula meu susto, que me torne subitamente consciente de minha idade, que não pára de avançar, que aceite que, apesar das mais tradicionais posições em contrário, a avéia Quaker não é mais a avó do toddynho.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
A que viemos
É com enorme satisfação que saúdo os nobres 4 leitores deste humilde blogue, chamando atenção para as próximas contribuições nestas páginas, do preclaro Tertúlio Brígio, que com suas grandes cultura e sagacidade, astúcia e criatividade, enriquecerá nosso espaço. Bem-vindo Tertúlio, após grande espera, o povo se regozija de sua presença. Hip, hip, hoorray.
domingo, 30 de setembro de 2007
terça-feira, 11 de setembro de 2007
terça-feira, 14 de agosto de 2007
os dias frios são os mais quentes
Recentemente o Rio de Janeiro passou por uma onda de frio como jamais vista. Por "frio", entenda-se temperatura abaixo dos 20°C. Para mim 17, ou 18° tá um espetáculo, mas neguinho aproveita pra desencavar casacos, gorros, luvas, cachecóis e até, acreditem, sobretudos. Isso mesmo, sobretudos. De fato em alguns dias havia realmente indicação de usar estes apetrechos - ok, menos o sobretudo -, mas na maioria era só uma oportunidade pra ventilar a naftalina mesmo.
Mas o que eu quero dizer é que estes dias são rotulados de "frios". Isso tem uma série de implicações. Como sou uma pessoa que usa transporte coletivo - não pela minha consciência ambiental, é que não tenho carro mesmo -, reparo em algumas dessas desagradáveis conseqüências; nesses dias o pessoal não abre uma frestinha de janela sequer dentro dos ônibus, os que têm ar condicionado não o ligam, e até o metrô, hermético e subterrâneo, se recusa a climatizar-se. Nestes espaços fica então gerado um calor compatível com o de um verão razoável no Rio (verão não-razoável no Rio só é reproduzido no Senegal), além de criar uma piscina atmosférica de perdigotos de tosses e espirros, tão democraticamente divididos por todos os usuários.
Ora, resta saber a quem foi outorgada a autoridade de declarar um dia como "frio", e então determinar o desligamento de condicionadores de ar em todos os espaços coletivos, provocando assim temperaturas muito menos agradáveis do que as normalmente proporcionadas por estes aparelhos, sem dúvida entre as maiores invenções da humanidade. E, a quem possa interessar, eu não reconheço esta autoridade!!! Enquanto me for possível, vou lutar pela permanência dos aparelhos de ar condicionado em funcionamento, não é porque meia dúzia de 3 ou 4 cidadãos declaram ser "frio", que eu vou me submeter a temperaturas de verão num dia de inverno, porra!!!
Esta minha indignação logo já não vai ter mais razão de ser, pois voltaremos à nefasta rotina sai-do-banho-começa-enxugando-água-termina-enxugando-suor. E tenho dito.
Mas o que eu quero dizer é que estes dias são rotulados de "frios". Isso tem uma série de implicações. Como sou uma pessoa que usa transporte coletivo - não pela minha consciência ambiental, é que não tenho carro mesmo -, reparo em algumas dessas desagradáveis conseqüências; nesses dias o pessoal não abre uma frestinha de janela sequer dentro dos ônibus, os que têm ar condicionado não o ligam, e até o metrô, hermético e subterrâneo, se recusa a climatizar-se. Nestes espaços fica então gerado um calor compatível com o de um verão razoável no Rio (verão não-razoável no Rio só é reproduzido no Senegal), além de criar uma piscina atmosférica de perdigotos de tosses e espirros, tão democraticamente divididos por todos os usuários.
Ora, resta saber a quem foi outorgada a autoridade de declarar um dia como "frio", e então determinar o desligamento de condicionadores de ar em todos os espaços coletivos, provocando assim temperaturas muito menos agradáveis do que as normalmente proporcionadas por estes aparelhos, sem dúvida entre as maiores invenções da humanidade. E, a quem possa interessar, eu não reconheço esta autoridade!!! Enquanto me for possível, vou lutar pela permanência dos aparelhos de ar condicionado em funcionamento, não é porque meia dúzia de 3 ou 4 cidadãos declaram ser "frio", que eu vou me submeter a temperaturas de verão num dia de inverno, porra!!!
Esta minha indignação logo já não vai ter mais razão de ser, pois voltaremos à nefasta rotina sai-do-banho-começa-enxugando-água-termina-enxugando-suor. E tenho dito.
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