O Sr. Zaphod têm sido muito duro em suas considerações acerca das religiões, afirmando que elas causam um mal à humanidade. De que humanidade está o senhor falando, Sr. Zaphod (o próprio nome dele já é um insulto aos bons costumes). Certamente quer ele com isto afirmar que todas as pessoas fazem parte de uma mesma comunidade global, e todas estas coisas do novo esquerdismo internacional. Não, Sr. Zaphod, não estamos falando da mesma humanidade. Ao menos, o senhor inclui na humanidade uma grande parte da população mundial que, está mais do que claro, não faz parte da humanidade.
Senão, vejamos. Faz parte da humanidade uma pessoa que não tem o que comer, ou alimenta-se tão mal a ponto de ver seus filhos perecerem por falta de uma vitamina x ou y? Faz parte da humanidade uma pessoa que, na sorte de ter onde morar - e que verbo intransitivo este pode ser - não conta com os requisitos mínimos de saneamento básico, segurança, condução e higiene em geral? Faz parte da humanidade uma pessoa que sequer sabe ler a palavra humanidade, seja lá em que língua está escrita? Faz parte da humanidade uma pessoa que está excluída dos principais expedientes da sociedade moderna, quais sejam educação, cultura, lazer? faz parte da humanidade uma pessoa que não tem o que vestir ou até calçar? Fazem parte da humanidade pessoas, verdadeiros povos, que não têm pátria e vivem como nômades, como se fosse um favor habitar e erguer suas bandeiras? Fazem parte da humanidade pessoas que em seus próprios países são obrigadas a conviver com guerras civis, invasões estrangeiras, lutas fratricidas motivadas por água ou petróleo?
Então, Sr. Zaphod, não me venha falar de humanidade deste jeito. Porque estas pessoas que não fazem parte da humanidade, são estas pessoas que necessitam de religiões. São as religiões que explicam a elas que estas condições de "vida" são naturais e não há nada o que fazer. Porque algum ser "superior" fez assim e quem são elas para reclamar, entristecer ou se aborrecer? Quem são elas para tentar mudar alguma coisa? Porque se em algum lugar da América Latina ocorre um terremoto e dizima milhares de vidas, reduzindo à total desgraça a vida daqueles que sobram, que mais soçobram do que sobram, isto é apenas resultado da vontade do ser, que os criou e que agora se cansou deles.
Além do mais, Sr. Zaphod, as religiões cumprem um papel essencial. Elas conseguem manter dóceis como cordeiros e imóveis como rochedos essas populações que não fazem parte da humanidade, para que nós, membros da humanidade, possamos controlá-las com nossas carinhosas forças policiais, desinformá-las com nossa imparcial imprensa e governá-las com nossos respeitáveis reis, presidentes e primeiros-ministros.
Portanto, a religião exerce uma função de utilidade para a humanidade, se compreendermos de que humanidade estamos falando.
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domingo, 17 de janeiro de 2010
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Feliz 2010!
Feliz ano novo a todos!
Uma coisa que sempre me chamou a atenção e me deixava encucado é uma certa divergência nas datas de natal e ano novo.
Diz-se que a contagem dos anos começou a partir do nascimento de JC. OK, se é assim por que diabos (chiste consciente) o ano não começa no natal? Como se diz que o natal é em dezembro se não se tinha ainda os meses anteriores para se contar?
Depois de muitos anos esquecida esta questã, ela me voltou numa coluna do L F Verissimo no jornal, há um tempo atrás. Lá ele esclarecia que o natal cai em dezembro por um fenômeno astronômico qualquer ligado à fábula da estrela que guiou um personagem qualquer da lenda de JC. E que o ano novo seria, então, o dia da circuncisão de JC, que tradicionalmente é no oitavo dia após o nascimento de qualquer judeu.
Exatamente, amigos. Hoje estamos comemorando o doismilésimo-décimo (ou doismilésimo-nono, ao pé da letra) aniversário da retirada ritualística-cirúrgica da pele que cobria a glande de uma pessoa que nem temos certeza de se, quando e como existiu!
Gente, realmente, tudo vira motivo para beber! Saúde e um bom 2010!
Uma coisa que sempre me chamou a atenção e me deixava encucado é uma certa divergência nas datas de natal e ano novo.
Diz-se que a contagem dos anos começou a partir do nascimento de JC. OK, se é assim por que diabos (chiste consciente) o ano não começa no natal? Como se diz que o natal é em dezembro se não se tinha ainda os meses anteriores para se contar?
Depois de muitos anos esquecida esta questã, ela me voltou numa coluna do L F Verissimo no jornal, há um tempo atrás. Lá ele esclarecia que o natal cai em dezembro por um fenômeno astronômico qualquer ligado à fábula da estrela que guiou um personagem qualquer da lenda de JC. E que o ano novo seria, então, o dia da circuncisão de JC, que tradicionalmente é no oitavo dia após o nascimento de qualquer judeu.
Exatamente, amigos. Hoje estamos comemorando o doismilésimo-décimo (ou doismilésimo-nono, ao pé da letra) aniversário da retirada ritualística-cirúrgica da pele que cobria a glande de uma pessoa que nem temos certeza de se, quando e como existiu!
Gente, realmente, tudo vira motivo para beber! Saúde e um bom 2010!
sábado, 5 de dezembro de 2009
Espírito Natalino II ou Eu Odeio a Árvore da Lagoa
E para sustentar esta hipocrisia que se espalha pelo mês de dezembro, uma empresa de seguros (??) banca, há anos, uma torre de luz no meio da lagoa, a Rodrigo de Freitas.
Então tá, uma empresa que lucra com o medo da desgraça e com o hábito de não ajudar quando as pessoas precisam, inventa uma pirâmide de lâmpadas para celebrar o tempo de perdão e solidariedade. Que nojo. Sério, estou enojado. É um paradoxo tão paradoxo que deixaria 1984 no chão.
A raposa ergue um imenso monumento às galinhas, enaltecendo-as por sua excelente habilidade de pôr ovos. De ouro.
Sem contar que aquele trambolho daquela árvore causa um transtorno imenso no trânsito. E em toda a energia desnecessariamente gasta naquilo, numa época em que todos devemos nos preocupar em economizar energia, e não esbanjar. Lembro que até no verão do apagão - o de Fernando II, o eterno - a porra da árvore estava lá, com algumas restrições de horário, apenas.
Fora de brincadeira, durante muito tempo achei legal e bacana essa coisa da solidariedade no natal, de as pessoas desejarem um bom natal, um feliz natal, muito amor e paz pra você, pra você. Mas depois me dei conta de que isso só destaca o monte de selvagens que nós somos o resto do ano, e então toda essa coisa de decoração de natal tem me dado nojo. Além do mais aquele vermelho todo dá um calor absurdo. Gente, que coisa mais inadequada o natal que nós importamos; nesse calor ferrado, uma ceia gigante com comida pesada, frutas secas, um velho gordo e barbudo cheio de roupa, que vem de um polo norte que era para ser de gelo, mas logo, logo não vai mais ser.
Podem até achar que estou sendo mal-humorado, mas acho que a gente tem de começar a repensar certas "verdades" inadequadas que por algum motivo tosco ficaram cristalizadas em nossa cultura.
Então tá, uma empresa que lucra com o medo da desgraça e com o hábito de não ajudar quando as pessoas precisam, inventa uma pirâmide de lâmpadas para celebrar o tempo de perdão e solidariedade. Que nojo. Sério, estou enojado. É um paradoxo tão paradoxo que deixaria 1984 no chão.
A raposa ergue um imenso monumento às galinhas, enaltecendo-as por sua excelente habilidade de pôr ovos. De ouro.
Sem contar que aquele trambolho daquela árvore causa um transtorno imenso no trânsito. E em toda a energia desnecessariamente gasta naquilo, numa época em que todos devemos nos preocupar em economizar energia, e não esbanjar. Lembro que até no verão do apagão - o de Fernando II, o eterno - a porra da árvore estava lá, com algumas restrições de horário, apenas.
Fora de brincadeira, durante muito tempo achei legal e bacana essa coisa da solidariedade no natal, de as pessoas desejarem um bom natal, um feliz natal, muito amor e paz pra você, pra você. Mas depois me dei conta de que isso só destaca o monte de selvagens que nós somos o resto do ano, e então toda essa coisa de decoração de natal tem me dado nojo. Além do mais aquele vermelho todo dá um calor absurdo. Gente, que coisa mais inadequada o natal que nós importamos; nesse calor ferrado, uma ceia gigante com comida pesada, frutas secas, um velho gordo e barbudo cheio de roupa, que vem de um polo norte que era para ser de gelo, mas logo, logo não vai mais ser.
Podem até achar que estou sendo mal-humorado, mas acho que a gente tem de começar a repensar certas "verdades" inadequadas que por algum motivo tosco ficaram cristalizadas em nossa cultura.
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Espírito Natalino? Fala sério!
Depois de Papai Noel, o maior clichê desta época do ano é "reavivar o Espírito Natalino". OK, obrigado, mas não, obrigado.
Neguinho chega no fim do ano e pensa em "resgatar" o verdadeiro significado do natal. Vamos pensar um pouquinho sobre isso.
O que se pensa a princípio é que o "espírito natalino" - doravante EN - é que as pessoas deviam ter ideais de solidariedade e de bondade, de perdão. O que na verdade só caracteriza como o espírito da hipocrisia. EN prega o respeito entre as pessoas, que todos devem se ajudar e compreender. C@#$%ralho, só no fim do ano?? Reza a lenda que JC - o nazareno - disse algo parecido. Reza a lenda. Acontece que ninguém sabe mesmo se ele existiu, e muito menos quando ele nasceu. Mas isso não importa. Importa que as pessoas fingem que se baseiam nisso ou naquilo, que não serve de base de nada, para justificar coisas absurdas! Então, resgatar o que? O que nunca existiu?
Neguinho chega no fim do ano e pensa em "resgatar" o verdadeiro significado do natal. Vamos pensar um pouquinho sobre isso.
O que se pensa a princípio é que o "espírito natalino" - doravante EN - é que as pessoas deviam ter ideais de solidariedade e de bondade, de perdão. O que na verdade só caracteriza como o espírito da hipocrisia. EN prega o respeito entre as pessoas, que todos devem se ajudar e compreender. C@#$%ralho, só no fim do ano?? Reza a lenda que JC - o nazareno - disse algo parecido. Reza a lenda. Acontece que ninguém sabe mesmo se ele existiu, e muito menos quando ele nasceu. Mas isso não importa. Importa que as pessoas fingem que se baseiam nisso ou naquilo, que não serve de base de nada, para justificar coisas absurdas! Então, resgatar o que? O que nunca existiu?
O natal, e também o EN, representa a nossa completa incapacidade de incluir o outro, e, logo, nosso entorno, no nosso pseudodesejo de que todos sejam felizes. Alguns reservam a esta época do ano um nicho de solidariedade a que se negam os outros onze meses. Sinto muito, para mim, não cola.
Ontem foi o dia internacional de luta contra a AIDS. Ao invés de pensar em iniciativas religiosas pela paz mundial, - vamos combinar que as religiões, ao longo dos séculos, têm contribuído muito negativamente pela paz - valorize algo que você mesmo pode fazer pelo bem da humanidade, que é simplesmente usar camisinha. Nós podemos fazer muito mais, mas sempre há por onde começar.
Ontem foi o dia internacional de luta contra a AIDS. Ao invés de pensar em iniciativas religiosas pela paz mundial, - vamos combinar que as religiões, ao longo dos séculos, têm contribuído muito negativamente pela paz - valorize algo que você mesmo pode fazer pelo bem da humanidade, que é simplesmente usar camisinha. Nós podemos fazer muito mais, mas sempre há por onde começar.
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